A crise financeira não deve comprometer o plantio da safra de grãos 2008/2009, segundo o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Ele atribuiu a perspectiva positiva ao fato de que grande parte dos estoques de adubos e sementes necessários para o novo ciclo agrícola já ter sido adquirida.
Apesar de a crise financeira mundial ter coincidido com o período de plantio (que segue até dezembro), o ministro afirmou que a agricultura não pode parar de produzir. "O setor agrícola não pode, por exemplo, conceder férias coletivas ou reduzir linha de produção, como uma montadora de automóveis", ponderou.
"Já se sabe, por situações anteriores, que, em casos de crises e até recessão, o último item afetado é a produção de alimentos. As pessoas continuam comendo e, no caso das exportações brasileiras do agronegócio, as perspectivas para 2008 são as mesmas", acrescentou.
O ministro afirmou, no entanto, que é preciso maior garantia do crédito para o produtor, "principalmente, aqueles que renegociaram dívidas rurais e são considerados com alto grau de risco nas operações financeiras".
"A escassez dos recursos faz com que os bancos fiquem muito mais seletivos na concessão de crédito, afetando, principalmente, os pequenos e médios agricultores", explicou Stephanes.
O Ministério da Agricultura informou aguardar a aprovação da reclassificação do grau de risco, prevista para acontecer em reunião extraordinária do CMN (Conselho Monetário Nacional) ainda esta semana.
Câmbio
Sobre a desvalorização do real frente ao dólar, ocorrida nos últimos dias, o ministro da Agricultura disse acreditar que a taxa de câmbio não se manterá neste patamar nos próximos seis meses.
"O câmbio atual não influenciará a produção agrícola, pois os fertilizantes usados nesta safra foram comprados no valor do câmbio anterior, mesmo considerando o grande aumento nos preços destes produtos", afirma.
"Vamos continuar acompanhando muito de perto o cenário econômico mundial nos próximos cinco, seis meses quando inicia a comercialização desta safra. Até lá, é provável que o mercado mundial já esteja estabilizado. Certamente, o governo vai trabalhar para garantir a remuneração mínima do produtor."
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